O TEATRO DA TRANSPARÊNCIA: O DESAFIO DE LULA DOS SIGILOS BLINDADOS, DO TELEFONE FANTASMA E DA FARRA DO CARTÃO CORPORATIVO!
Artigo crítico e irônico sobre o desafio de Lula a Flávio Bolsonaro para abrir sigilos, apontando o contraste com o uso de cartões corporativos, os sigilos de 100 anos e a blindagem institucional do STF e da PGR
Em clima de campanha, o lance maroto do petista de desafiar o adversário a abrir contas e telefones levanta gargalhadas na praça, afinal, quem fiscaliza o sistema quando o sistema inteiro joga no mesmo time?
A criatividade marqueteira na política brasileira alcançou patamares dignos de comédia pastelão. No recente e eletrizante debate presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu lançar uma cartada digna de mestre dos magos: desafiou o senador Flávio Bolsonaro a abrir publicamente os sigilos bancários, fiscais e telefônicos, com direito a entrega de procurações protocoladas sob a bênção de ministros e tribunais.
A jogada é de uma genialidade cênica ímpar. Propor a abertura de sigilos tendo como auditores supremos justamente o Supremo Tribunal Federal (STF) e as engrenagens de uma República onde o aparelhamento estatal e a conivência de gabinetes blindam sistematicamente o Palácio é o equivalente a desafiar alguém para uma corrida de 100 metros onde o seu adversário está algemado e você tem um carro blindado.
O detalhe pitoresco: o mistério do telefone fantasma e do dinheiro "por fora"
Enquanto a claque aplaudia o bravateio de transparência, a realidade nua e crua da crítica popular escancarou o óbvio ululante. Como bem apontou o próprio Flávio Bolsonaro ao rebater a encenação, a sugestão de abrir sigilo telefônico de quem sequer usa celular nos moldes tradicionais, gerando aquela velha máxima de que "o dinheiro todinho é por fora", beira o deboche institucional.
Afinal, por que cargas d'água alguém se preocuparia em esconder extratos em contas correntes formais quando o fluxo de recursos opera em uma galáxia paralela de livre trânsito?
A mania do "sigilo de 100 anos" e a farra do cartão corporativo
Mas a ironia atinge o ápice quando se fala em transparência governamental vinda de quem transformou o "sigilo de 100 anos" em política de Estado. Ora, como acreditar na lisura de quem coloca cadeados intransponíveis em tudo o que é gasto oficial, visitas ao Palácio e registros comprometedores?
E para coroar o descaramento, ainda temos o famigerado cartão corporativo, aquele poço sem fundo onde a primeira-dama esbanja o dinheiro do pagador de impostos em viagens, luxos e regalias enquanto o povo trabalhador aperta o cinto. Exigir transparência do oprimido pela máquina enquanto se esconde a sete chaves cada centavo torrado no cartão do Planalto é deboche puro.
A República de compadres e os cães de guarda de prontidão
A grande piada pronta da história, se é que tragédias institucionais podem ser tratadas como piada, é fingir que o patrimônio ou as movimentações do atual grupo governista correm algum risco de auditoria real. Com uma Procuradoria-Geral da República dócil e uma Suprema Corte que atua mais como comitê de defesa e retórica partidária do que como guardiã da Constituição, o sigilo de Lula é o segredo mais seguro do planeta: ninguém o investiga porque ninguém pode investigá-lo de verdade.
Enquanto isso, a sanha inquisitória se debruça milimetricamente sobre o opositor, dissecando até centavos de recibo de farmácia. O "desafio" de Lula não passa de uma peça de ficção publicitária: um teatro calculado para plateia ver, sabendo perfeitamente que o apito final do jogo é soprado por quem veste a mesma camisa.
No fim das contas, pedir transparência tendo o STF, sigilos blindados e cartões corporativos escancarados como privilégio da corte é a certidão de garantia definitiva de que pizza nenhuma jamais sairá do forno. É o Brasil das narrativas oficiais, onde quem tem o poder de polícia sob encomenda dita quem é o transparente e quem é o investigado.Por Normando Carvalho