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Direitos Humanos / Cotidiano / Conflito Agrário

REVIRAVOLTA JUDICIAL NO ENGENHO FERVEDOURO AMEAÇA 70 FAMÍLIAS DE DESPEJO EM JAQUEIRA

Decisão da 11ª Vara Federal revogou salvaguardas anteriores e determinou imissão de posse integral em favor de arrematante, gerando apreensão entre 70 famílias agricultoras na Mata Sul pernambucana e questionamentos sobre a ausência de manifestação oficial da Prefeitura de Jaqueira

14/08/2026 Leitura de 3 min Por Normando Carvalho
REVIRAVOLTA JUDICIAL NO ENGENHO FERVEDOURO AMEAÇA 70 FAMÍLIAS DE DESPEJO EM JAQUEIRA


O processo judicial envolvendo o Engenho Fervedouro, localizado no município de Jaqueira, na Mata Sul de Pernambuco, voltou a figurar no centro de um intenso debate sobre a função social da terra e os impactos sociais de execuções possessórias. O caso opõe o direito de posse decorrente de arrematação em leilão judicial à permanência de cerca de 70 famílias de agricultores que residem e produzem no local há décadas.

​O Histórico e o Vaivém Processual

​A área faz parte de um litígio de longa data ligado ao passivo da antiga Usina Frei Caneca. Em leilões judiciais decorrentes de execuções fiscais e trabalhistas, parte do complexo foi arrematada por um investidor particular.

​Contraponto e Impacto Social

​Enquanto a defesa jurídica do arrematante sustenta a legalidade da aquisição patrimonial e o direito à posse com base nas normas processuais vigentes, entidades de direitos humanos, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e os moradores apontam os reflexos sociais da medida.

​Segundo relatórios de organizações locais, a ordem de desocupação atinge não apenas moradias, mas uma estrutura comunitária consolidada que inclui a escola municipal, templos religiosos, espaços associativos e áreas de cultivo voltadas à subsistência e ao fornecimento de alimentos para programas públicos como o PNAE e o PAA.

​A Situação da Ação Social e o Posicionamento do Governo Municipal

​Diante do risco iminente de desestruturação da comunidade e do impacto direto sobre equipamentos públicos essenciais instalados na localidade, a exemplo da escola da rede municipal, redes de apoio e movimentos sociais têm cobrado providências da administração pública e de órgãos de assistência social.

​Questionada por veículos de imprensa sobre a ordem de despejo e a situação de vulnerabilidade das dezenas de famílias e da estrutura escolar afetada, a Prefeitura Municipal de Jaqueira foi procurada para prestar esclarecimentos, mas não emitiu nenhum pronunciamento oficial ou nota formal sobre o episódio até o momento. O espaço institucional da gestão municipal permanece aberto para eventuais manifestações e esclarecimentos acerca de possíveis planos de apoio ou amparo aos moradores.

​A Cobrança por Soluções Institucionais

​Movimentos sociais e a Defensoria Pública têm apontado reiteradamente a lentidão na regularização fundiária da área pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A ausência de uma destinação definitiva da terra para fins de reforma agrária, pleiteada há anos pela comunidade, é apontada por defensores de direitos humanos como o principal fator que empurra conflitos sociais complexos para a via de execuções possessórias estritas no âmbito do Poder Judiciário.

Por Blog Normando Carvalho

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