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SAÚDE

Quem conhece, não vota": O desabafo de uma servidora sobre a crise na saúde pública estadual

Saúde pública em xeque: Servidora relata indignação e pede mudança

Há 1 dia Leitura de 2 min Por Redação
Quem conhece, não vota": O desabafo de uma servidora sobre a crise na saúde pública estadual

Diário de uma Servidora: Por que a esperança por mudança fala mais alto na saúde pública?

​Por: Uma servidora pública estadual

​Não é fácil escrever sobre algo que a gente sente na pele todos os dias. Trabalhar na saúde pública já é um desafio por natureza, mas, nos últimos anos, esse desafio deixou de ser apenas a carga de trabalho para se tornar um exercício constante de paciência e indignação.

​Muita gente me pergunta o que penso sobre a atual gestão estadual. Minha resposta é sempre a mesma: vivemos três anos de um completo hiato. Agora, próximo ao fim do ciclo, surgem promessas e alguns investimentos que, honestamente, chegam com cara de desespero eleitoral. Não são ações estruturantes; é o famoso "deixar para a última hora".

​O que o cidadão não vê (mas o servidor sente)

​Quem está de fora vê propagandas. Quem está lá dentro, no corredor do hospital ou na repartição, vê a falta de diálogo. Sinto na pele o que é a perseguição e o desrespeito com quem carrega o Estado nas costas.

​O exemplo mais doloroso é o SASSEP. É humilhante. O servidor paga, tem o desconto em folha, mas na hora da emergência — quando a vida da gente depende de um exame rápido — a porta está fechada. Chegamos ao ponto crítico onde o SUS, com todas as suas limitações, tem se mostrado menos moroso e, ironicamente, menos humilhante do que o sistema que deveria nos acolher.

​A conta que não fecha

​Não podemos ignorar os números. A categoria da enfermagem, que tanto batalhou pelo piso nacional, segue esquecida desde 2024. É inadmissível que uma conta especial, com mais de 100 milhões de reais destinados pelo governo federal, continue estagnada. Onde está o repasse? Cadê a explicação? Além disso, gratificações que já faziam parte da nossa realidade foram cortadas, apertando ainda mais o orçamento das famílias que dependem do serviço público.

​O sentimento nas urnas

​Não acredito em salvadores da pátria. Sei que mudar de gestão não é uma solução mágica para todos os problemas que se arrastam há décadas. Mas acredito, com convicção, que a política é feita de ciclos. E este ciclo específico chegou ao seu esgotamento.

​Vejo o funcionalismo público, a enfermagem e o povo cansado de promessas vazias. Existe uma máxima que circula pelos hospitais e que se tornou um grito de guerra silencioso: “Quem conhece, não vota”.

​Acredito que essa insatisfação, que é real e diária, vai se traduzir em mudança nas urnas. Afinal, respeito e diálogo não são pedidos, são direitos básicos de quem trabalha pelo Estado e para a população.

Por BLOG NORMANDO CARVALHO

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